As autoridades nacionais de segurança divulgaram os números da sinistralidade rodoviária referentes ao período de Natal e Ano Novo, que decorreu entre 18 de dezembro de 2025 e 4 de janeiro de 2026. Os dados revelam um aumento preocupante no número de vítimas mortais face ao ano anterior.
Durante estas duas semanas e meia, as estradas portuguesas foram palco de 6.083 acidentes, que provocaram 38 mortes, 127 feridos graves e 1.643 feridos leves. Comparados com o mesmo período do ano anterior, os números mostram uma subida de 31% nas vítimas mortais, embora se tenha verificado uma descida de 2,3% nos feridos graves e de 20,1% nos feridos leves. O número total de acidentes recuou 4,4%.
Distribuição geográfica das vítimas mortais
Os 38 óbitos ocorreram em 37 acidentes distribuídos por vários pontos do país. Aveiro liderou a lista negra com sete mortes, seguido de Lisboa com igual número. O Porto registou quatro vítimas mortais, enquanto Braga contabilizou cinco. As regiões autónomas dos Açores não registaram qualquer vítima mortal, ao contrário da Madeira, onde se verificou um óbito.
| Distrito/Região | Vítimas Mortais |
|---|---|
| Aveiro | 7 |
| Lisboa | 7 |
| Braga | 5 |
| Porto | 4 |
| Santarém | 3 |
| Leiria | 3 |
| Beja | 2 |
| Coimbra | 2 |
| Bragança | 1 |
| Faro | 1 |
| Setúbal | 1 |
| Viseu | 1 |
| Madeira | 1 |
| Total | 38 |
Causas principais dos acidentes mortais
A análise dos acidentes mortais revela que os despistes foram responsáveis por 53% das mortes, o que corresponde à maioria dos casos. As colisões representaram 26% das vítimas mortais, enquanto os atropelamentos foram responsáveis por 21% dos óbitos.
As vítimas mortais tinham idades entre os 20 e os 88 anos. Do total, 32 eram do sexo masculino e seis do sexo feminino, o que evidencia uma clara predominância de homens entre as vítimas.
Ano Novo mais trágico
O balanço específico do período de Ano Novo, entre 27 de dezembro de 2025 e 4 de janeiro de 2026, mostra um agravamento ainda maior da sinistralidade. Nestes nove dias, registaram-se 2.657 acidentes que resultaram em 26 mortes, 59 feridos graves e 714 feridos leves.
Face ao mesmo período do ano anterior, verificou-se um aumento dramático de 86% nas vítimas mortais e de 18% nos feridos graves. Por outro lado, os feridos leves desceram 20% e o número de acidentes recuou 6%.
Fiscalização intensiva nas estradas
A Guarda Nacional Republicana, a Polícia de Segurança Pública e a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária desenvolveram uma operação de fiscalização de grande dimensão durante todo o período festivo. No total, foram fiscalizados ou controlados cerca de 13,8 milhões de veículos.
Dados globais da fiscalização (18 dez – 4 jan)
| Entidade | Veículos controlados (radar) | Fiscalização presencial | Total | Infrações |
|---|---|---|---|---|
| ANSR | 12.730.491 | – | 12.730.491 | 26.186 |
| GNR | 888.973 | 145.223 | 1.034.196 | 19.778 |
| PSP | 26.993 | 12.923 | 39.916 | 6.150 |
| Total | 13.646.457 | 158.146 | 13.804.603 | 52.114 |
A fiscalização presencial abrangeu 158.146 veículos e condutores, o que representa uma descida de 11,1% face ao período homólogo. Apesar do elevado número de veículos controlados, a taxa de infração manteve-se nos 0,4%, igual à registada no ano anterior.
Principais infrações detetadas
O excesso de velocidade continua a ser a principal infração nas estradas portuguesas, responsável por 60% do total de contraordenações registadas. A ausência de inspeção periódica obrigatória surgiu em segundo lugar, com 6,7% das infrações.
Crimes rodoviários detetados
| Tipo de Crime | Número de Ocorrências |
|---|---|
| Condução com TAS ≥ 1,2 g/l | 1.102 |
| Condução sem habilitação legal | 502 |
| Outros crimes rodoviários | 145 |
| Total | 1.749 |
Principais contraordenações
| Tipo de Infração | Número de Ocorrências |
|---|---|
| Velocidade | 30.014 |
| Inspeção periódica obrigatória | 3.625 |
| Seguro | 1.121 |
| Álcool | 883 |
| Telemóvel | 594 |
| Cinto de segurança/sistema retenção | 564 |
| Outras | 15.239 |
| Total | 52.114 |
Meios de socorro preparados para resposta rápida
A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil preparou um dispositivo especial para o período festivo. Diariamente, estiveram no terreno 867 bombeiros e 256 veículos, estrategicamente posicionados em 142 locais identificados como pontos críticos de sinistralidade.
Na operação de Natal, foram mobilizados 5.202 bombeiros e 1.536 veículos, enquanto na operação de Ano Novo o dispositivo incluiu 3.468 bombeiros e 1.024 veículos, garantindo capacidade de intervenção rápida em caso de emergência.
Os dados foram divulgados pelas autoridades em comunicado conjunto da ANSR, GNR, PSP e ANEPC, no âmbito da campanha de Natal e Ano Novo do Ministério da Administração Interna.



