O escultor Carlos Oliveira e o realizador Alexandre Pataca estiveram na sexta-feira, 17 de julho, em estúdio na 91FM. A conversa centrou-se no documentário que retrata o trabalho do escultor das Caldas da Rainha, com onde se destacou a transição para a pedra como material nobre e sustentável.
Carlos Oliveira explicou a mudança de paradigma que realizou há cerca de cinco anos. Depois de décadas a trabalhar com resinas e materiais derivados do petróleo, optou por abandonar esses processos e apostar em materiais naturais como a pedra, o bronze e a madeira. “Quero deixar uma pegada mais saudável para os meus netos e para o planeta”, afirmou. O escultor destacou a parceria com a pedreira e a fábrica MVC, na Ataíja de Cima – Alcobaça, que permite um processo mais ecológico, com reutilização da água e dos resíduos.
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O documentário, realizado por Alexandre Pataca, acompanhou durante catorze meses o processo criativo de Carlos Oliveira. Foram registadas cerca de 870 horas de filmagens ao longo de catorze meses, acompanhadas por fotografia de Francisco Matias e edição de Duarte Silva. A banda sonora original é de Rão Kyao. Sem guião pré-definido, a equipa deixou-se guiar pelos momentos, pela pedreira e pelo próprio ritmo do artista, o que resultou numa narrativa espontânea e, nas palavras do realizador, “quase espiritual”. A ligação à “Mãe Terra” surge como tema central.
Carlos Oliveira fala do respeito ao escolher cada bloco de pedra, do misticismo que sente ao trabalhar materiais com milhões de anos e da gratidão aos trabalhadores das pedreiras, muitos deles expostos a riscos elevados. Uma pedra recolhida há um ano, guardada no atelier do escultor, simboliza essa homenagem aos que perdem a vida na extração.
O filme estreia a 23 de julho, pelas 21h00, no Cineteatro de Alcobaça. A entrada é livre, mediante ordem de chegada. A sessão anterior, mais intimista, nas Caldas da Rainha, deixou um forte impacto emocional no público.
Com esta obra, Carlos Oliveira e Alexandre Pataca mostram não apenas o processo de criação de uma escultura em pedra, mas sobretudo a conexão profunda entre o artista, a matéria-prima e o planeta. Um convite a ver o trabalho com outros olhos e a valorizar quem transforma a terra em arte.
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Entrevista na íntegra, aqui:


