O Festival de Ópera de Óbidos encerrou a edição de 2026 com mais de 2500 espectadores e uma taxa média de ocupação de 97%. Entre 5 e 20 de setembro, a ABA – Banda de Alcobaça Associação de Artes e o Município de Óbidos apresentaram cinco espetáculos em sete sessões. Quatro dessas récitas esgotaram.
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A programação atravessou épocas e formatos diferentes, sob o tema Luz e Trevas. O festival ocupou a Praça da Criatividade, a Igreja da Misericórdia, o Museu Abílio de Mattos e Silva e o Convento de São Miguel das Gaeiras.Gala com 715 pessoas e duas produções própriasA gala inaugural, na Praça da Criatividade, reuniu 715 espectadores. Foi a maior assistência ao ar livre desde o ressurgimento do festival.
As duas grandes produções próprias marcaram o cartaz. A Cinderela, ou o Triunfo da Bondade, de Rossini, teve encenação de Pedro Ribeiro e direção musical da maestra britânica Julia Jones. Orfeu e Eurídice, de Gluck, ficou a cargo de Carlos Antunes. As quatro récitas destas obras esgotaram. Pela primeira vez, o programa incluiu uma oratória: Caim, ou o Primeiro Homicídio, de Alessandro Scarlatti, em coprodução com a Fundação Casa de Mateus. No Museu Abílio de Mattos e Silva houve ainda o recital De Purcell a Britten: mais de dois séculos de paixão shakespeariana. «Um exemplo que devia inspirar outros territórios»
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A diretora artística, Carla Caramujo, diz que o resultado «confirma o festival como um espaço importante de descentralização e promoção da ópera em Portugal». O diretor-geral das Artes, Américo Rodrigues, esteve nesta edição e apontou o mesmo problema: a oferta lírica concentra-se em Lisboa e isso «coloca questões de equidade e democracia». Sobre Óbidos, foi direto. O festival é, nas suas palavras, «um exemplo que devia inspirar outros territórios». Destacou ainda a escolha dos espaços e o cruzamento entre obras conhecidas e propostas contemporâneas.
O elenco misturou percursos distintos. No lado mais consolidado estiveram Luís Rodrigues, Ana Quintans e a mezzo-soprano brasileira Luísa Francesconi. Numa geração em afirmação internacional surgiram Cláudia Ribas, Tiago Matos e João Terleira. Joana Santos e Helena Ressurreição representaram o lado mais jovem.
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Na direção musical, Jan Wierzba e Pedro Carneiro partilharam o cartaz com Julia Jones. Passaram pelo festival a Orquestra das Beiras, a Orquestra Barroca de Mateus e a Orquestra de Câmara Portuguesa.
O Convento de São Miguel das Gaeiras consolida-se como palco principal. O diretor-geral do festival, José Rafael Rodrigues, atribui isso «ao trabalho de adaptação e melhoria contínua das condições técnicas e logísticas do espaço».
O vice-presidente da Câmara de Óbidos e vereador da Cultura, Ricardo Duque, descreve o FOO como um dos projetos do concelho «onde o processo criativo assume maior centralidade» e onde existe «clara vontade de arriscar, experimentar e criar». O autarca sublinha a parceria com a ABA e o trabalho de curadoria da direção artística.
Carla Caramujo formula o objectivo em frase curta: transformar Óbidos «num farol inspirador da lírica nacional».
A edição de 2026 teve o Alto Patrocínio do Presidente da República. Entre os mecenas estão a Fundação «la Caixa», em colaboração com o BPI, e a Égide – Associação Portuguesa das Artes.
Mais informações: festivaloperaobidos.pt


