Localização do Hospital do Oeste só depois de reunião com autarcas

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Localização do Hospital do Oeste só depois de reunião com autarcas

A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, confirmou esta semana que o Governo já tem em mãos os estudos pedidos para decidir o local do futuro Hospital do Oeste. O anúncio público, porém, só chega depois de a tutela apresentar as conclusões aos autarcas e às comunidades intermunicipais. A governante recusou adiantar datas e falou apenas de um anúncio “daqui a algum tempo”.

O Ministério da Saúde pediu dois pareceres. Um partiu da Administração Central do Sistema de Saúde. O outro, independente, ficou a cargo da Ordem dos Engenheiros, que nomeou três peritos com currículo em equipamentos de grande escala. Os documentos já chegaram ao Governo. Ana Paula Martins não os torna públicos enquanto os municípios não os analisam. Justificou a reserva com a contestação habitual em torno deste tipo de decisão e disse que o Executivo quer uma escolha “clara, transparente e sustentada”.

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O novo hospital substitui as unidades de Caldas da Rainha, Peniche e Torres Vedras e serve cerca de 300 mil habitantes da região Oeste, incluindo Bombarral, Cadaval e Lourinhã. O Governo insiste em que o projeto avança nesta legislatura, com parceria público-privada. Em agosto, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, afirmou que o processo voltava a andar em setembro. Os deputados socialistas eleitos por Leiria questionaram, no dia 23, se a obra começa mesmo neste mandato e pediram calendário para localização, perfil assistencial, concurso e adjudicação.

A disputa pelo sítio não é nova. Em 2023, o então ministro Manuel Pizarro anunciou a Quinta do Falcão, no Bombarral, com base num estudo promovido pela OesteCIM e pela Universidade Nova. O argumento central era a posição geográfica, o tamanho do terreno, a margem para expansão e a proximidade da saída 11 da A8 e da linha ferroviária. A Câmara das Caldas da Rainha contestou de imediato e apresentou estudos próprios, com apoio do Instituto Superior Técnico, do Centro de Estudos e Desenvolvimento Regional e Urbano (CEDRU) e da Universidade de Aveiro, a favor de uma zona de confluência entre Caldas da Rainha e Óbidos, junto aos nós da A8, da A15 e do IP6.

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O debate arrasta-se há anos. Em 2024, a Assembleia da República recomendou a construção até 2028 e manteve o Bombarral. Em outubro de 2025, já com o atual Governo, Luís Montenegro suspendeu o processo durante a campanha autárquica nas Caldas da Rainha, para “aprofundar a avaliação”. Autarquias como Bombarral e Torres Vedras pediram, desde então, uma decisão “célere e definitiva”. O Orçamento do Estado para 2025 chegou a inscrever 265,1 milhões de euros para o projeto; para 2026, várias câmaras alertaram para a ausência de verba específica.

Até hoje, 30 de setembro de 2026, não existe localização oficial. Os pareceres existem, mas permanecem reservados. Bombarral continua a ser o sítio anunciado em 2023. Caldas da Rainha e Óbidos mantêm a alternativa. A ministra diz que o hospital “tem de ser feito”. A região espera agora que a reunião com os autarcas feche, de vez, o mapa.

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