Projeto inovador da Unidade Local de Saúde do Oeste em conjunto com a Associação Nacional das Farmácias, produz dados para orientar respostas em Saúde Pública

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Protocolo entre ANF, ULS Oeste e Farmácias Rosa (Caldas Rainha) e Torrense (Torres Vedras)

Um projeto inovador de vigilância epidemiológica, em conjunto com a Unidade Local de Saúde do Oeste (ULS Oeste) e a Associação Nacional das Farmácias (ANF), produz informação estratégica para apoiar respostas mais eficazes em Saúde Pública na região Oeste, através de uma rede de farmácias comunitárias com funções de unidades sentinela. O sistema de vigilância epidemiológica torna-se multinível, integrado e mais robusto, o que transforma o plano de contingência num verdadeiro sistema de antecipação e colaboração na saúde, baseando-se em evidência e governança territorial.

No âmbito deste projeto, as farmácias comunitárias da região já recolheram dados de mais de 1.800 utentes com sintomatologia de infeção respiratória, o que apoiou a realização e o registo de mais de 300 testes rápidos de vírus respiratórios. Esta recolha sistemática de informação permite acompanhar, de forma mais próxima e representativa, a circulação de vírus respiratórios na comunidade, no âmbito deste projeto inovador de vigilância epidemiológica.

Esta iniciativa está integrada no Plano de Resposta Sazonal em Saúde, módulo Inverno da ULS Oeste, e reforça significativamente a informação disponível para a identificação dos vírus em circulação e a avaliação da carga de doença na comunidade para a gestão dos serviços de saúde, numa época tradicionalmente marcada por elevada procura por parte da população e consequente saturação da capacidade assistencial. Em simultâneo, permite a abordagem atempada e qualificada de casos ligeiros de infeção respiratória na comunidade, o que contribui para a adequada utilização dos serviços de urgência e para a concentração dos recursos assistenciais nos casos de maior gravidade.

Para além de fortalecer a vigilância no período de maior circulação de vírus respiratórios, têm também a potencialidade de detetar rapidamente novos padrões de infeção, e assim, permitir a identificação de agentes patogénicos novos que consigam causar epidemias e pandemias numa fase precoce de circulação.

Com uma metodologia inovadora que resulta da aplicação de diretrizes para a vigilância respiratória ao contexto da farmácia comunitária, o projeto apresenta o potencial de colocar sob vigilância da população em poucas semanas, de forma rápida e representativa, e mantém a qualidade dos dados recolhidos. Com esta abordagem é permitido suprimir as crescentes dificuldades e limitações dos sistemas de vigilância tradicionais, como dando seguimento às recomendações do European Centre for Disease Prevention and Control (ECDC) e da Comissão Europeia para o reforço dos sistemas de vigilância epidemiológica após a pandemia COVID-19.

Os resultados iniciais, suportados por uma metodologia de recolha de dados estruturada, revela elevado potencial de replicação deste modelo ao nível nacional, fornecendo informação estratégica para apoiar decisões clínicas e de gestão dos serviços de saúde, tanto ao nível local como nacional, o que permite respostas mais célebres, eficazes e fundamentadas em evidência. Assim sendo, é possível otimizar respostas no terreno, como a ativação faseada de planos de contingência, a organização de recursos humanos e a articulação com os cuidados de saúde primários e hospitalares antes de se verificar uma sobrecarga significativa do sistema.

Mais de 70% das farmácias da região participam ativamente no projeto, abrangendo os concelhos do Bombarral, Cadaval, Caldas da Rainha, Lourinhã, Óbidos, Peniche, Sobral de Monte Agraço e Torres Vedras.

Elsa Baião, presidente do Conselho de Administração da ULS do Oeste, refere a importância desta “colaboração interinstitucional”, destaca as farmácias como “parceiros estratégicos pela proximidade às pessoas, pela confiança dos utentes e pelo conhecimento profundo do território.”

A nível local, são cerca de 60 mil pessoas que entram semanalmente nas farmácias comunitárias envolvidas, a rede assegura uma elevada cobertura populacional, permitindo assim acompanhar em proximidade a evolução da circulação dos vírus respiratórios na região. As farmácias comunitárias aderentes funcionam como unidades sentinela em articulação com o departamento de Saúde Pública e das Populações da ULS do Oeste. 

Nuno Rodrigues, coordenador do departamento, sublinhou que “os dados recolhidos são essenciais para aumentar e otimizar a capacidade do sistema de vigilância epidemiológica, contribuindo para respostas mais eficazes e ajustadas em cada momento.”

A recolha de dados é procedida através de um formulário eletrónico disponível no software das farmácias, onde os farmacêuticos registam sintomas e testes realizados. Com esta metodologia é permitido monitorizar a intensidade, o padrão temporal das infeções e a positividade para os diferentes vírus respiratórios na comunidade. 

Protocolo entre ANF, ULS Oeste e Farmacias Rosa (Caldas Rainha) e Torrense (Torres Vedras)

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