O Teatro da Rainha traça para abril um programa que conjuga a celebração dos seus 40 anos com uma agenda de intervenção cívica; da recuperação de um espólio artístico ao confronto direto com a realidade política contemporânea.
Expo 40 Anos: cenários de João Vieira voltam à Sala Estúdio
A 7 de abril inaugura um novo módulo da Expo 40 Anos de Teatro da Rainha, com uma exposição dedicada aos cenários criados pelo artista plástico João Vieira para os espetáculos O Lavrador da Boémia e Letra M, textos de Johannes von Saaz. A mostra pode ser visitada na Sala Estúdio até 17 de abril, com entrada gratuita.
A exposição inclui fotografias de Eduardo Gageiro, Paulo Nuno Silva, João Tuna e Margarida Araújo, e é acompanhada por uma leitura encenada de fragmentos de O Lavrador da Boémia com Fábio Costa no papel do Lavrador e Hâmbar de Sousa no papel da Morte. As sessões realizam-se a 7 de abril, às 19h00, e a 11 de abril, às 17h00.
Fernando Mora Ramos, diretor artístico do Teatro da Rainha, sublinha o alcance político do gesto: «O que fazemos, sendo uma celebração, é essencialmente um gesto de protesto e, nessa medida, um gesto atual virado para um futuro longe nos antípodas deste presente — um futuro em que o homem não seja o lobo do homem.»
Diga 33 recebe António Rito Silva
A 21 de abril, às 21h30, o ciclo Diga 33 – Poesia no Teatro recebe António Rito Silva, autor do romance 25 de Abril Sempre — uma das obras mais densas e originais da ficção portuguesa recente. Com a revolução de 1974 como eixo narrativo, o livro interroga a distância entre a existência individual e a história coletiva. A apresentação fica a cargo de Manuel Portela, escritor e diretor da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra.
Debate sobre o livro Por Dentro do Chega fecha a semana
A 24 de abril, às 21h30, o Pequeno Auditório do CCC recebe um debate em torno do livro Por Dentro do Chega, de Miguel Carvalho. Fruto de cinco anos de investigação, a obra expõe um projeto político marcado por conflitos internos, financiamentos opacos, ligações internacionais e cumplicidades com o legado das ditaduras fascistas e nazis.
O encontro, promovido pelo Teatro da Rainha em colaboração com o CCC das Caldas da Rainha, conta com Joaquim Jorge Veiguinha, doutorado em Ciência Política pela Universidade Lusófona e coordenador da revista Finisterra, fundada por Eduardo Lourenço, e com João Figueira, doutor em Ciências da Comunicação pela Universidade de Coimbra e antigo diretor do Mestrado em Jornalismo e Comunicação da mesma instituição.
Três semanas, três registos distintos — memória, literatura e cidadania —, com um fio condutor comum: o teatro como espaço de pensamento crítico e de resistência cultural.


